estrategias financeiras para clinica odontologica

As melhores estratégias financeiras para sua clínica odontológica

A saúde financeira de uma clínica odontológica determina sua capacidade de investir em equipamentos, capacitar equipes e oferecer atendimento de excelência. O Brasil bateu recorde com 2.273 pedidos de recuperação judicial, o maior número em 20 anos, o que demonstra altos níveis de inadimplência. Não somente falando de clínicas odontológicas, mas em toda a população

Este guia apresenta estratégias financeiras comprovadas para blindar sua clínica odontológica contra crises e maximizar lucratividade sustentável.

  1. Calcular custos fixos e variáveis (como % dos dentistas parceiros)
  2. Precificação adequada, não é só se basear na concorrência
  3. Parcelamento via boleto e financiamento através de crédito consignado
  4. Acompanhar / gerir inadimplência
  5. Renegociação com fornecedores
  6. Fundo de reserva e melhoria para reformas e troca de equipamentos
  7. Gestão na ponta do lápis

Calcular custos fixos e variáveis (como % dos dentistas parceiros)

Entender a estrutura de custos é o primeiro passo para precificação adequada e gestão eficiente. Segundo o Sebrae, desorganização financeira compromete até estabelecimentos tecnicamente excelentes.

Custos fixos típicos:

  • Aluguel: valor mensal invariável independente do volume de atendimentos 
  • Salários administrativos: recepção, secretária, auxiliar administrativo 
  • Contas de utilities: água, luz, internet, telefone 
  • Software de gestão: sistema mensal de prontuário e agendamento 
  • Seguros: responsabilidade civil e patrimonial

Os custos fixos idealmente representam de 30% a 40% da receita mensal em clínicas bem estruturadas.

Custos variáveis principais

  • Materiais odontológicos: consumíveis por procedimento 
  • Laboratórios: próteses, aparelhos, guias cirúrgicos 
  • Comissões de dentistas parceiros: percentual sobre produção 
  • Descartáveis: luvas, máscaras, campos estéreis por atendimento 
  • Anestésicos: consumo proporcional ao volume de procedimentos

Para clínicas com dentistas parceiros, o modelo mais comum no mercado brasileiro é a remuneração do dentista parceiro como um percentual sobre a produção. O problema não é o modelo em si, mas o percentual praticado sem qualquer critério técnico.

Na prática, muitas clínicas pagam 40% a 50% da produção ao dentista parceiro. Esse percentual, quando não é sustentado por um cálculo real de custos, geralmente inviabiliza o negócio. A clínica fica responsável por aluguel, equipe, impostos, marketing, equipamentos, insumos e risco do negócio — e ainda assim tenta sobreviver com metade da produção.

Exemplo prático:

Dentista parceiro produz R$ 20 mil no mês. Comissão de 25% = R$ 5 mil para o dentista. Clínica fica com R$ 15 mil para cobrir custos fixos, variáveis e margem de lucro.

Hora clínica: o número que quase ninguém calcula (mas deveria)

Antes de definir qualquer percentual de comissão, a clínica precisa responder a uma pergunta simples: quanto custa manter um consultório aberto por hora?

A hora clínica inclui aluguel, equipe, energia, manutenção, depreciação de equipamentos, softwares, impostos, marketing e até o custo da ociosidade. Se a clínica não conhece esse número, qualquer negociação de comissão é feita no escuro.

Sem esse cálculo, o que parece um bom acordo com o dentista se transforma, na prática, em prejuízo constante. A clínica atende, fatura, paga todo mundo — e no final do mês sobra pouco ou nada.

Precificação adequada, não é só se basear na concorrência

Copiar preços de concorrentes sem calcular custos próprios é receita para falência

Método correto de precificação:

  • Calcular custo real de cada procedimento
  • Adicionar margem de lucro desejada
  • Verificar preço de mercado como referência secundária 
  • Ajustar conforme diferenciais competitivos

Conheça mais sobre precificação em clínica odontológica e como calcular corretamente.

Fatores que justificam preço acima da média:

  • Localização premium 
  • Tecnologia avançada (scanner intraoral, CAD/CAM) 
  • Especialização reconhecida 
  • Atendimento diferenciado 
  • Garantias estendidas

Parcelamento via boleto e financiamento através de crédito consignado

O brasileiro decide pela parcela que cabe no bolso, não pelo valor total do tratamento. Facilitar o pagamento aumenta drasticamente a aceitação de procedimentos de alto valor.

Opções de parcelamento:

  • Cartão de crédito: 3x a 6x sem juros (custo da maquininha absorvido) 
  • Boleto próprio: 3x a 12x com juros (gestão interna da inadimplência) 
  • Crédito consignado: até 144x com juros menores (paciente desconta em folha) 
  • Financeiras parceiras: até 36x com aprovação automática

Segundo a MedForce, gestão de custos e preços afeta diretamente acessibilidade dos serviços prestados.

Vantagens do crédito consignado:

  • Juros menores (1,5% a 2% ao mês vs 5% a 8% do cartão) 
  • Desconto direto em folha reduz inadimplência a zero 
  • Número maior de parcelas viabiliza fechamento de tratamentos com maior valor agregados 
  • Aprovação rápida para servidores públicos e CLT

Como apresentar ao paciente:

Em vez de chegar no preço final, você primeiro pergunta para o paciente como seria a melhor forma de pagamento para ele.

Vamos supor que ele diga que prefere parcelar.

O roteiro muda de: “Seu tratamento fica em R$18.000.”

Para isso:

Passo 1: Crie a Âncora (O Preço de Referência). “Olha, [Nome do Paciente], um tratamento completo para um caso como o seu, utilizando a tecnologia de implantes importados e a cerâmica alemã que planejamos, normalmente tem um investimento no mercado que fica na casa dos R$18.000.” (Neste momento, você ancora o cérebro dele nesse número. Esse é o novo “caro”).

Passo 2: Apresente a Sua Oferta (O Preço Real). “Mas, por conta do nosso planejamento digital, do nosso laboratório próprio e da campanha especial que estamos tendo até o final deste mês, conseguimos otimizar todo o processo. Por isso, para o seu caso, o investimento total fica em 24 parcelas de R$649 reais”

O que acontece no cérebro do paciente?

A pergunta muda de “R$18.000 é caro?” para “Nossa, estou tendo uma vantagem que cabe tranquilamente no meu orçamento mensal”. Você mudou o referencial. O preço deixou de ser um susto e se tornou uma oportunidade.

Acompanhar / gerir inadimplência

Inadimplência é um dos maiores desafios financeiros de clínicas que oferecem parcelamento próprio. 

Taxa de inadimplência saudável:

  • Abaixo de 3%: excelente gestão de cobrança 
  • Entre 3% e 5%: aceitável e gerenciável 
  • Acima de 5%: problema sério que compromete caixa

Estratégias de prevenção:

  • Análise de crédito antes de aprovar parcelamentos longos 
  • Cadastro completo com CPF, comprovante de renda e residência 
  • Entrada mínima de 20% a 40% do valor total 
  • Lembretes automáticos 3 dias antes do vencimento 
  • Múltiplos canais de cobrança (WhatsApp, SMS, e-mail, ligação)

Processo de cobrança eficaz:

  • Dia do vencimento: lembrete amigável
  • 3 dias após vencimento: mensagem de cobrança educada 
  • 7 dias: ligação da clínica oferecendo renegociação 
  • 15 dias: último aviso antes de medidas legais
  • 30 dias: negativação em birô de crédito

Segundo a App Health, evitar multas, juros ou irregularidades preserva imagem do negócio.

Renegociação com fornecedores

Cada real economizado em custos vai direto para o caixa da clínica. Diferente de cada real vendido, que possui imposto, custo de material, comissões e outras deduções.

Economia é mais eficiente que venda:

  1. R$ 1.000 economizados = R$ 1.000 no caixa 
  2. R$ 1.000 vendidos = R$ 400 no caixa (após impostos, materiais, comissões, etc.)

Portanto, economizar R$ 1.000 equivale a vender R$ 2.500.

Estratégias de negociação:

  • Compras em volume para descontos progressivos 
  • Pagamento antecipado em troca de 5% a 10% de desconto 
  • Consórcios de compra com outras clínicas 
  • Substituição de marcas premium por intermediárias sem perder qualidade 
  • Renegociação anual de contratos

Exemplo real:

A clínica gastava R$ 3.000 mensais em materiais. Renegociou com o fornecedor para R$ 2.500 (16,6% de economia). Economia anual: R$ 6.000 que vão direto para lucro ou reinvestimento. Para gerar os mesmos R$ 6.000 de lucro líquido, a clínica precisaria faturar aproximadamente R$ 15.000 adicionais.

Fundo de reserva e melhoria para reformas e troca de equipamentos

Equipamentos odontológicos têm vida útil limitada e eventual necessidade de substituição. Reforma de consultório, pintura e manutenção preventiva também exigem capital disponível.

Fundo de reserva ideal:

  • Emergências: 3 a 6 meses de custos fixos guardados 
  • Equipamentos: reserva mensal para renovação programada 
  • Reformas: 2% a 3% da receita mensalmente

Planejamento de reposição:

  • Cadeira odontológica: vida útil de 10 a 15 anos
  • Autoclave: 7 a 10 anos
  • Compressor: 10 a 12 anos
  • Raio-X: 10 a 15 anos
  • Computadores: 4 a 6 anos

Sabendo a vida útil, calcule reserva mensal necessária.

Exemplo:

Cadeira nova custa R$ 15.000 e dura 12 anos (144 meses). Reserva mensal: R$ 15.000 / 144 = R$ 104 por mês. Quando chegar o momento de trocar, o dinheiro estará disponível sem impactar o fluxo de caixa.

Gestão na ponta do lápis

O ditado empresarial é verdadeiro: o que não é medido não é gerenciado. Na prática, ter controle total sobre despesas e questões financeiras é mais do que necessário para otimizar recursos e não sair dos trilhos rumo à inadimplência.

Números essenciais para acompanhar semanalmente:

  • Faturamento total 
  • Despesas totais (fixas + variáveis) 
  • Lucro líquido 
  • Taxa de inadimplência 
  • Ticket médio por paciente 
  • Número de atendimentos 
  • Taxa de fechamento de orçamentos

Números mensais estratégicos:

  • ROI de marketing (retorno sobre investimento em anúncios) 
  • Custo de aquisição por paciente 
  • Lifetime value (quanto cada paciente gera ao longo dos anos) 
  • Margem de contribuição por tratamento
  • Percentual de custos fixos vs variáveis

Conheça estratégias completas de como faturar com clínica odontológica no Brasil.

Ferramentas de controle:

  • Planilhas Excel (básico, mas funcional) 
  • Software de gestão odontológica integrado
  • Dashboard com KPIs atualizados em tempo real

Frequência de análise:

  • Diária: fluxo de caixa e faturamento 
  • Semanal: inadimplência e conversões 
  • Mensal: lucratividade e planejamento estratégico 
  • Trimestral: ajustes de precificação e renegociações 
  • Anual: planejamento completo do próximo ano

Implementa rgestão odontológica estruturada transforma números em decisões estratégicas.

Conclusão

Estratégias financeiras sólidas são o alicerce de clínicas odontológicas sustentáveis e lucrativas.

Com 949 falências e 2.273 recuperações judiciais registradas no Brasil em 2024, gestão financeira profissional não é opcional.

Calcular custos corretamente, precificar estrategicamente, facilitar pagamento, controlar inadimplência, negociar com fornecedores, manter reservas e acompanhar números na ponta do lápis são práticas que separam clínicas que prosperam de aquelas que fecham as portas.

Lembre-se: cada R$ 1 economizado vale mais que R$ 1 vendido, pois vai direto para o caixa sem deduções.

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