A saúde financeira de uma clínica odontológica determina sua capacidade de investir em equipamentos, capacitar equipes e oferecer atendimento de excelência. O Brasil bateu recorde com 2.273 pedidos de recuperação judicial, o maior número em 20 anos, o que demonstra altos níveis de inadimplência. Não somente falando de clínicas odontológicas, mas em toda a população
Este guia apresenta estratégias financeiras comprovadas para blindar sua clínica odontológica contra crises e maximizar lucratividade sustentável.
- Calcular custos fixos e variáveis (como % dos dentistas parceiros)
- Precificação adequada, não é só se basear na concorrência
- Parcelamento via boleto e financiamento através de crédito consignado
- Acompanhar / gerir inadimplência
- Renegociação com fornecedores
- Fundo de reserva e melhoria para reformas e troca de equipamentos
- Gestão na ponta do lápis
Calcular custos fixos e variáveis (como % dos dentistas parceiros)
Entender a estrutura de custos é o primeiro passo para precificação adequada e gestão eficiente. Segundo o Sebrae, desorganização financeira compromete até estabelecimentos tecnicamente excelentes.
Custos fixos típicos:
- Aluguel: valor mensal invariável independente do volume de atendimentos
- Salários administrativos: recepção, secretária, auxiliar administrativo
- Contas de utilities: água, luz, internet, telefone
- Software de gestão: sistema mensal de prontuário e agendamento
- Seguros: responsabilidade civil e patrimonial
Os custos fixos idealmente representam de 30% a 40% da receita mensal em clínicas bem estruturadas.
Custos variáveis principais
- Materiais odontológicos: consumíveis por procedimento
- Laboratórios: próteses, aparelhos, guias cirúrgicos
- Comissões de dentistas parceiros: percentual sobre produção
- Descartáveis: luvas, máscaras, campos estéreis por atendimento
- Anestésicos: consumo proporcional ao volume de procedimentos
Para clínicas com dentistas parceiros, o modelo mais comum no mercado brasileiro é a remuneração do dentista parceiro como um percentual sobre a produção. O problema não é o modelo em si, mas o percentual praticado sem qualquer critério técnico.
Na prática, muitas clínicas pagam 40% a 50% da produção ao dentista parceiro. Esse percentual, quando não é sustentado por um cálculo real de custos, geralmente inviabiliza o negócio. A clínica fica responsável por aluguel, equipe, impostos, marketing, equipamentos, insumos e risco do negócio — e ainda assim tenta sobreviver com metade da produção.
Exemplo prático:
Dentista parceiro produz R$ 20 mil no mês. Comissão de 25% = R$ 5 mil para o dentista. Clínica fica com R$ 15 mil para cobrir custos fixos, variáveis e margem de lucro.
Hora clínica: o número que quase ninguém calcula (mas deveria)
Antes de definir qualquer percentual de comissão, a clínica precisa responder a uma pergunta simples: quanto custa manter um consultório aberto por hora?
A hora clínica inclui aluguel, equipe, energia, manutenção, depreciação de equipamentos, softwares, impostos, marketing e até o custo da ociosidade. Se a clínica não conhece esse número, qualquer negociação de comissão é feita no escuro.
Sem esse cálculo, o que parece um bom acordo com o dentista se transforma, na prática, em prejuízo constante. A clínica atende, fatura, paga todo mundo — e no final do mês sobra pouco ou nada.
Precificação adequada, não é só se basear na concorrência
Copiar preços de concorrentes sem calcular custos próprios é receita para falência.
Método correto de precificação:
- Calcular custo real de cada procedimento
- Adicionar margem de lucro desejada
- Verificar preço de mercado como referência secundária
- Ajustar conforme diferenciais competitivos
Conheça mais sobre precificação em clínica odontológica e como calcular corretamente.
Fatores que justificam preço acima da média:
- Localização premium
- Tecnologia avançada (scanner intraoral, CAD/CAM)
- Especialização reconhecida
- Atendimento diferenciado
- Garantias estendidas
Parcelamento via boleto e financiamento através de crédito consignado
O brasileiro decide pela parcela que cabe no bolso, não pelo valor total do tratamento. Facilitar o pagamento aumenta drasticamente a aceitação de procedimentos de alto valor.
Opções de parcelamento:
- Cartão de crédito: 3x a 6x sem juros (custo da maquininha absorvido)
- Boleto próprio: 3x a 12x com juros (gestão interna da inadimplência)
- Crédito consignado: até 144x com juros menores (paciente desconta em folha)
- Financeiras parceiras: até 36x com aprovação automática
Segundo a MedForce, gestão de custos e preços afeta diretamente acessibilidade dos serviços prestados.
Vantagens do crédito consignado:
- Juros menores (1,5% a 2% ao mês vs 5% a 8% do cartão)
- Desconto direto em folha reduz inadimplência a zero
- Número maior de parcelas viabiliza fechamento de tratamentos com maior valor agregados
- Aprovação rápida para servidores públicos e CLT
Como apresentar ao paciente:
Em vez de chegar no preço final, você primeiro pergunta para o paciente como seria a melhor forma de pagamento para ele.
Vamos supor que ele diga que prefere parcelar.
O roteiro muda de: “Seu tratamento fica em R$18.000.”
Para isso:
Passo 1: Crie a Âncora (O Preço de Referência). “Olha, [Nome do Paciente], um tratamento completo para um caso como o seu, utilizando a tecnologia de implantes importados e a cerâmica alemã que planejamos, normalmente tem um investimento no mercado que fica na casa dos R$18.000.” (Neste momento, você ancora o cérebro dele nesse número. Esse é o novo “caro”).
Passo 2: Apresente a Sua Oferta (O Preço Real). “Mas, por conta do nosso planejamento digital, do nosso laboratório próprio e da campanha especial que estamos tendo até o final deste mês, conseguimos otimizar todo o processo. Por isso, para o seu caso, o investimento total fica em 24 parcelas de R$649 reais”
O que acontece no cérebro do paciente?
A pergunta muda de “R$18.000 é caro?” para “Nossa, estou tendo uma vantagem que cabe tranquilamente no meu orçamento mensal”. Você mudou o referencial. O preço deixou de ser um susto e se tornou uma oportunidade.
Acompanhar / gerir inadimplência
Inadimplência é um dos maiores desafios financeiros de clínicas que oferecem parcelamento próprio.
Taxa de inadimplência saudável:
- Abaixo de 3%: excelente gestão de cobrança
- Entre 3% e 5%: aceitável e gerenciável
- Acima de 5%: problema sério que compromete caixa
Estratégias de prevenção:
- Análise de crédito antes de aprovar parcelamentos longos
- Cadastro completo com CPF, comprovante de renda e residência
- Entrada mínima de 20% a 40% do valor total
- Lembretes automáticos 3 dias antes do vencimento
- Múltiplos canais de cobrança (WhatsApp, SMS, e-mail, ligação)
Processo de cobrança eficaz:
- Dia do vencimento: lembrete amigável
- 3 dias após vencimento: mensagem de cobrança educada
- 7 dias: ligação da clínica oferecendo renegociação
- 15 dias: último aviso antes de medidas legais
- 30 dias: negativação em birô de crédito
Segundo a App Health, evitar multas, juros ou irregularidades preserva imagem do negócio.
Renegociação com fornecedores
Cada real economizado em custos vai direto para o caixa da clínica. Diferente de cada real vendido, que possui imposto, custo de material, comissões e outras deduções.
Economia é mais eficiente que venda:
- R$ 1.000 economizados = R$ 1.000 no caixa
- R$ 1.000 vendidos = R$ 400 no caixa (após impostos, materiais, comissões, etc.)
Portanto, economizar R$ 1.000 equivale a vender R$ 2.500.
Estratégias de negociação:
- Compras em volume para descontos progressivos
- Pagamento antecipado em troca de 5% a 10% de desconto
- Consórcios de compra com outras clínicas
- Substituição de marcas premium por intermediárias sem perder qualidade
- Renegociação anual de contratos
Exemplo real:
A clínica gastava R$ 3.000 mensais em materiais. Renegociou com o fornecedor para R$ 2.500 (16,6% de economia). Economia anual: R$ 6.000 que vão direto para lucro ou reinvestimento. Para gerar os mesmos R$ 6.000 de lucro líquido, a clínica precisaria faturar aproximadamente R$ 15.000 adicionais.
Fundo de reserva e melhoria para reformas e troca de equipamentos
Equipamentos odontológicos têm vida útil limitada e eventual necessidade de substituição. Reforma de consultório, pintura e manutenção preventiva também exigem capital disponível.
Fundo de reserva ideal:
- Emergências: 3 a 6 meses de custos fixos guardados
- Equipamentos: reserva mensal para renovação programada
- Reformas: 2% a 3% da receita mensalmente
Planejamento de reposição:
- Cadeira odontológica: vida útil de 10 a 15 anos
- Autoclave: 7 a 10 anos
- Compressor: 10 a 12 anos
- Raio-X: 10 a 15 anos
- Computadores: 4 a 6 anos
Sabendo a vida útil, calcule reserva mensal necessária.
Exemplo:
Cadeira nova custa R$ 15.000 e dura 12 anos (144 meses). Reserva mensal: R$ 15.000 / 144 = R$ 104 por mês. Quando chegar o momento de trocar, o dinheiro estará disponível sem impactar o fluxo de caixa.
Gestão na ponta do lápis
O ditado empresarial é verdadeiro: o que não é medido não é gerenciado. Na prática, ter controle total sobre despesas e questões financeiras é mais do que necessário para otimizar recursos e não sair dos trilhos rumo à inadimplência.
Números essenciais para acompanhar semanalmente:
- Faturamento total
- Despesas totais (fixas + variáveis)
- Lucro líquido
- Taxa de inadimplência
- Ticket médio por paciente
- Número de atendimentos
- Taxa de fechamento de orçamentos
Números mensais estratégicos:
- ROI de marketing (retorno sobre investimento em anúncios)
- Custo de aquisição por paciente
- Lifetime value (quanto cada paciente gera ao longo dos anos)
- Margem de contribuição por tratamento
- Percentual de custos fixos vs variáveis
Conheça estratégias completas de como faturar com clínica odontológica no Brasil.
Ferramentas de controle:
- Planilhas Excel (básico, mas funcional)
- Software de gestão odontológica integrado
- Dashboard com KPIs atualizados em tempo real
Frequência de análise:
- Diária: fluxo de caixa e faturamento
- Semanal: inadimplência e conversões
- Mensal: lucratividade e planejamento estratégico
- Trimestral: ajustes de precificação e renegociações
- Anual: planejamento completo do próximo ano
Implementa rgestão odontológica estruturada transforma números em decisões estratégicas.
Conclusão
Estratégias financeiras sólidas são o alicerce de clínicas odontológicas sustentáveis e lucrativas.
Com 949 falências e 2.273 recuperações judiciais registradas no Brasil em 2024, gestão financeira profissional não é opcional.
Calcular custos corretamente, precificar estrategicamente, facilitar pagamento, controlar inadimplência, negociar com fornecedores, manter reservas e acompanhar números na ponta do lápis são práticas que separam clínicas que prosperam de aquelas que fecham as portas.
Lembre-se: cada R$ 1 economizado vale mais que R$ 1 vendido, pois vai direto para o caixa sem deduções.
A Power Mocho, agência de marketing especializada em odontologia, trabalha em sintonia com gestão financeira para garantir que investimentos em marketing gerem ROI positivo e mensurável. Entre em contato para estruturar estratégias de crescimento que respeitam sua realidade financeira e maximizam o faturamento.


