Precificação na clínica odontológica: pare de errar!

A precificação inadequada é a causa silenciosa por trás de muitas clínicas odontológicas que, apesar de agendas cheias, mal conseguem pagar as contas no final do mês. Definir preços corretos não é somente aplicar uma margem sobre custos, mas equilibrar viabilidade financeira, percepção de valor e competitividade de mercado.

Este guia apresenta os fundamentos da precificação estratégica em odontologia, desde cálculos essenciais até a relação entre preços e marketing.

  1. O que a precificação envolve?
  2. O que considerar na hora de precificar produtos e serviços?
  3. Qual a importância de precificar corretamente?
  4. Como a precificação impacta no marketing odontológico
  5. Dicas para não errar mais
  6. Conclusão: marketing para potencializar lucratividade

O que a precificação envolve?

Precificação odontológica vai muito além de escolher números que “parecem justos”. Trata-se de arquitetura financeira que determina se a clínica sobreviverá, crescerá ou entrará em colapso.

Componentes essenciais:

  • Custos diretos: materiais, laboratórios e tempo profissional específico do procedimento
  • Custos indiretos: aluguel, salários administrativos, utilities e manutenção 
  • Impostos e encargos: tributos federais, estaduais e municipais 
  • Margem de lucro: retorno sobre investimento e capital para crescimento 
  • Posicionamento de mercado: percepção de valor versus concorrentes

Dados da American Dental Association revelam que a despesa geral ideal para consultórios deve ficar entre 59% e 62% da receita. Clínicas que excedem consistentemente 65% operam em zona de risco, com margem insuficiente para reinvestimentos ou imprevistos.

A Percentology aponta que práticas generalistas mantêm custos de pessoal entre 24% e 28% da receita, materiais e laboratórios entre 10% e 14%, e administrativos cerca de 6% a 8%. Qualquer precificação que não considere esses parâmetros está fadada ao fracasso.

O erro mais comum:

Dentistas precificam frequentemente baseados somente no que concorrentes cobram, sem calcular seus próprios custos operacionais. Essa prática leva a subsídio cruzado não intencional, onde procedimentos lucrativos compensam outros que dão prejuízo.

O que considerar na hora de precificar produtos e serviços?

A precificação estratégica exige análise metódica de múltiplas variáveis. Cada componente influencia diretamente a viabilidade do negócio.

Custos fixos e variáveis

Custos fixos permanecem constantes independente do volume de atendimentos. Incluem aluguel, seguros, software de gestão, salários administrativos e equipamentos financiados. Em geral, recomenda-se manter custos fixos entre 15% e 30% da receita.

Custos fixos típicos:

  • Aluguel/Financiamento: 7% a 9% da receita 
  • Salários administrativos: incluídos nos 24% a 28% de pessoal total 
  • Seguros: responsabilidade civil, predial e equipamentos 
  • Tecnologia: software de gestão, internet, telefonia 
  • Marketing: investimento contínuo em aquisição

Custos variáveis flutuam com o volume de procedimentos. Quanto mais pacientes atendidos, maiores esses custos. Idealmente devem representar 15% a 20% da receita, segundo também a Dental CPA USA.

Custos variáveis principais:

  • Materiais odontológicos: devem ficar em 4% a 6% das coleções 
  • Laboratórios: devem representar 8% a 10%, ou 2% a 3% com CAD/CAM interno Descartáveis: luvas, máscaras, campos estéreis 
  • Anestésicos e medicamentos: por procedimento 
  • Comissões variáveis: quando aplicável

Valor/hora por serviço prestado

Calcular o custo real por hora de trabalho clínico é fundamental para precificação justa. A MGE Management sugere usar o modelo de 30% para remuneração de dentistas associados como referência.

Cálculo básico:

Se a clínica odontológica fatura R$ 100 mil mensais e o dentista proprietário produz R$ 80 mil desse total, a remuneração adequada seria R$ 24 mil (30% de R$ 80 mil). Isso estabelece o piso de quanto cada hora de trabalho precisa gerar.

Tempo real versus tempo percebido:

Um procedimento que leva 2 horas no consultório consome mais do que essas 2 horas quando consideramos:

  • Tempo de preparo e esterilização 
  • Documentação e anotações em prontuário
  • Coordenação com laboratório 
  • Follow-up e orientações pós-procedimento

Precificar somente pelas horas na cadeira subestima custos reais e compromete lucratividade.

Impostos

A carga tributária brasileira varia conforme o regime fiscal escolhido. Clínicas podem operar como Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, cada um com impactos diferentes na precificação.

Simples Nacional:

Alíquotas progressivas que variam de 6% a 33% conforme faturamento anual. Para serviços odontológicos, geralmente ficam entre 15% e 18% do faturamento total.

Lucro Presumido:

Tributação de aproximadamente 13,33% a 16,33% sobre a receita, dependendo do município e se há ISS adicional. Pode ser vantajoso para clínicas com margem acima de 32%.

Impacto na precificação:

Se os impostos representam 16% da receita e não são considerados no preço, a clínica precisa gerar 16% a mais em volume apenas para cobrir tributos. Um procedimento de R$ 1.000 precisa custar pelo menos R$ 1.190 para absorver impostos e manter margem.

Equiparação Hospitalar

No Brasil, a equiparação hospitalar permite às clínicas odontológicas, assim como outras instituições de saúde, uma leve redução tributária. Isso ocorre porque a tributação aplicada ao imposto de renda de pessoa jurídica deve ter a mesma alíquota de grandes hospitais.

Faturamento parcial como Pessoa Física

Estabelecer um pró-labore, nos casos de clínicas pequenas a médias, pode ser uma forma de redução de impostos por parte do empreendedor. Trata-se de uma medida legal que diminui cobranças do faturamento destinado à pessoa física.

Custo por procedimento

Cada procedimento possui estrutura de custos específica que deve ser mapeada individualmente.

Exemplo: Restauração em resina composta

  • Material (resina, adesivo, ácido): R$ 30 
  • Descartáveis (luvas, campo, sugador): R$ 8 
  • Tempo do dentista (45 min a R$ 240/hora): R$ 180 
  • Overhead proporcional (45 min de ocupação): R$ 90 
  • Custo total: R$ 308 
  • Preço mínimo (com 35% de margem): R$ 473

Dados da Synergy Dental Partners mostram que custos com laboratórios podem ser drasticamente reduzidos com tecnologia CAD/CAM interna, caindo de 8-10% para 2-3% da receita.

Procedimentos de alto custo:

Implantes, ortodontia e próteses fixas exigem investimento significativo em materiais e laboratórios. Parcelar esses custos ao longo do tratamento ajuda fluxo de caixa, mas a precificação precisa considerar o custo financeiro do capital imobilizado.

Lucratividade desejada/viável

A margem de lucro sustentável para clínicas odontológicas gira em torno de 20% e 35% quando o total de custos está controlado entre 59% e 62%, segundo benchmarks da indústria.

Distribuição ideal da receita:

  • Overhead total: 59% a 62% 
  • Remuneração proprietário: 25% a 30% 
  • Lucro líquido reinvestível: 8% a 16%

Clínicas odontológicas que operam com margem abaixo de 25% não têm reservas para enfrentar crises, investir em tecnologia ou expandir. A Dental Economics alerta que custos estão no “novo normal” elevado desde 2021, tornando precificação estratégica ainda mais crítica.

Margem versus volume:

Algumas clínicas odontológicas optam por margem maior com volume menor (posicionamento premium), enquanto outras trabalham com margem apertada compensada por alto volume. Ambas estratégias funcionam, mas exigem precificação e marketing alinhados.

Qual a importância de precificar corretamente?

Precificação inadequada gera consequências em cascata que comprometem toda a operação. Preços muito baixos não cobrem custos reais, levando a endividamento progressivo. Preços muito altos afastam pacientes e deixam agenda vazia.

Impactos diretos:

  • Fluxo de caixa negativo: despesas excedem entradas consistentemente 
  • Impossibilidade de investir: sem margem para equipamentos ou marketing 
  • Desgaste profissional: trabalhar mais para ganhar menos 
  • Dependência de convênios: aceitar planos por necessidade 
  • Rotatividade de equipe: salários não competitivos por falta de margem

Precificação correta permite:

  • Remuneração justa ao profissional
  • Investimento em tecnologia moderna 
  • Marketing adequado para crescimento sustentável 
  • Reservas para imprevistos 
  • Qualidade de vida profissional

Como a precificação impacta no marketing odontológico

Não adianta investir milhares em marketing se a precificação está errada. Tráfego pago com preços inadequados acelera prejuízos em vez de lucros.

Cenário comum de fracasso:

Uma clínica odontológica que investe R$ 5 mil mensais em anúncios, gera 50 novos pacientes, mas cada procedimento tem margem de somente 15% por precificação incorreta. O faturamento aumenta, mas o lucro não acompanha, criando ilusão de crescimento enquanto o fluxo de caixa piora.

Relação saudável entre preço e marketing:

  • Margem adequada (35%) sustenta investimento em aquisição de pacientes 
  • Preços competitivos facilitam conversão de leads em agendamentos 
  • Clareza de custos permite calcular CAC (Custo de Aquisição de Cliente) viável 
  • Percepção de valor alinha expectativas entre preço cobrado e experiência entregue

Em geral, custos elevados forçam clínicas a aumentar preços, comprometendo competitividade. A solução não é reduzir preços, mas otimizar custos mantendo margem saudável.

Marketing potencializa precificação correta:

Quando preços refletem valor real e cobrem custos adequadamente, o marketing funciona como acelerador de crescimento. Cada novo paciente contribui positivamente para lucratividade, criando ciclo virtuoso de reinvestimento.

Dicas para não errar mais

Implementar precificação estratégica exige disciplina e revisão contínua. Estas práticas evitam erros comuns e mantêm a clínica financeiramente saudável.

Não precifique somente com base nos concorrentes

Copiar preços de concorrentes sem conhecer sua estrutura de custos é jogo de azar. O concorrente pode ter custos diferentes, estar operando com prejuízo temporário para ganhar mercado, ou simplesmente ter precificado errado também.

Abordagem correta:

  1. Calcule seus custos reais primeiro 
  2. Estabeleça margem mínima viável 
  3. Pesquise preços de mercado como referência secundária 
  4. Ajuste para cima ou para baixo baseado em diferenciação real

Clínicas com tecnologia superior, localização premium ou especialização reconhecida justificam preços acima da média. Competir apenas por preço é corrida para o fundo.

Avalie margem e ganho de procedimentos

Nem todos os procedimentos geram a mesma lucratividade. Análise individual revela quais são âncoras de lucro e quais subsidiam outros.

Matriz de lucratividade:

  • Alto volume + alta margem: priorizar e promover (ex: clareamento, lentes) 
  • Alto volume + baixa margem: otimizar custos (ex: limpezas) 
  • Baixo volume + alta margem: manter (ex: reabilitações complexas) 
  • Baixo volume + baixa margem: avaliar descontinuar ou reprecificar

A MGE Management recomenda aumentar aceitação de casos como estratégia primária de crescimento de faturamento, o que funciona melhor quando procedimentos lucrativos são adequadamente promovidos.

Revisão trimestral:

Custos de materiais flutuam, salários são reajustados, impostos mudam. Revisar precificação trimestralmente mantém margem saudável mesmo com variações operacionais.

Varie formas de pagamento e parcelamento de serviços

O brasileiro decide pela parcela que cabe no bolso, não pelo valor total. Oferecer opções de pagamento facilita aceitação de tratamentos mais complexos e caros.

Opções recomendadas:

  • À vista com desconto: 5% a 10% para pagamento imediato 
  • Parcelamento sem juros: 3x a 6x dependendo do valor 
  • Parcelamento com juros: 7x a 12x com taxa competitiva 
  • Entrada facilitada: 20% a 30% de entrada com parcelamento do restante 
  • Financiamento externo: parcerias com financeiras especializadas

Apresentação no momento da avaliação:

O modo como o plano de tratamento é apresentado determina a taxa de aceitação. Mostrar o valor total assusta. Apresentar em parcelas mensais que cabem no orçamento familiar facilita a decisão.

Exemplo prático:

Em vez de dizer “o tratamento custa R$ 12 mil”, apresentar como “R$ 1.200 de entrada e 10 parcelas de R$ 1.080” torna psicologicamente mais acessível. O paciente brasileiro avalia se a parcela cabe no bolso, não se o valor total faz sentido.

Software de gestão financeira:

Ferramentas modernas calculam automaticamente diferentes cenários de parcelamento, considerando custos financeiros e mantendo margem adequada. A automação elimina erros e agiliza apresentação de propostas.

Conclusão: marketing para potencializar lucratividade

Precificação estratégica é a base para crescimento sustentável. Sem margem adequada, investir em marketing apenas acelera problemas financeiros. Com preços corretos, cada novo paciente contribui para lucratividade e permite reinvestimento.

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